LENDA DA CARRUAGEM DE ANA JANSEN

18/09/2013 22:12
Arquivo não editável
Autor: Diogo
Página relacionada a: CAFÉ LITERARIO PRAÇA DE SÃO LUIS

Ana Jansen, uma mulher de grande poder econômico e de forte influência social, temida pela cidade, tornou-se lenda em São Luís. Nascida pobre em 1797, na provinciana capital maranhense, casou-se e enviuvou-se duas vezes, e por causa disso conseguiu acumular imensa fortuna. Morreu rica no ano de 1869, deixando desafetos e, claro, muita história para contar. Dona de muitos imóveis, Ana Joaquina Jansen Pereira, Donana Jansen, como era chamada, era tida como perversa com seus escravos, submetendo-os aos mais bárbaros castigos, torturando-os até a morte.

Entre as histórias está a de que ela fazia os escravos de tapete, pisando sobre os negros para não sujar seus sapatos franceses quando ia para o sitio. Contam por aí, que Donana também amarrava os mais rebeldes de ponta-cabeça dentro do poço e os esquecia lá. À noite, os escravos gritavam, em suplício. Os descendentes da megera dizem que, todavia, tal desventura não poderia ser dada a Ana Jansen, pois mulher alguma podia ter tanto poder naquela época. Principalmente ela, que não tinha estudos.

Conta a lenda que por seu mau comportamento em vida, Ana Jansen teve um castigo em morte: foi condenada a vagar eternamente pelas ruas da cidade. Em noite de sexta-feira e de lua cheia, o fantasma da rica comerciante passeia com sua carruagem pelas ladeiras estreitas da Praia Grande, onde morava. O coche puxado por mulas sem cabeça que jorravam línguas de fogo e conduzida por um negro igualmente decapitado atravessa o centro histórico entre os rangidos dos parafusos, correntes que arrastam pelos paralelepípedos e gemidos dos escravos que tinham sido mortos pela dona.

Os desavisados que por ventura encontrarem o fantasma da Ana Jansen são obrigados a rezar uma oração pela alma da senhora e receber dela uma vela acessa, que no raiar do dia se transformará em osso humano descarnado. Verdade ou não, muita gente jura já ter visto a carruagem por aí.

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