Fazendo História

23/04/2009 08:16


Conhece-te a ti mesmo. O ensinamento do filósofo grego Sócrates é o objetivo do Instituto Fazendo História que busca resgatar o passado de crianças e adolescentes que vivem em abrigos. Leia a entrevista com a Coordenadora Geral do Instituto Fazendo História, Claudia Vidigal.

Fazer o resgate da história de crianças e adolescentes que vivem em abrigos no estado de São Paulo para ajudá-las a escrever seu próprio destino. Esse é o trabalho desenvolvido pelo Instituto Fazendo História, ONG criada em 2002 que atende a, aproximadamente, 30 abrigos na capital e em outras cidades paulistas. Em entrevista ao Portal do Voluntário, a Coordenadora Geral do Instituto, Claudia Vidigal, explica os projetos desenvolvidos, relata como é o dia-a-dia nos abrigos e revela os planos para o futuro.

Como é o trabalho desenvolvido pelo Instituto Fazendo História?

Claudia Vidigal –
Nossa missão é melhorar a qualidade de vida de crianças e adolescentes que vivem em abrigos, contribuindo para um atendimento personalizado a cada um deles.

Quando foi criado e como surgiu a idéia de realizar atividades em abrigos?

Claudia Vidigal –
O trabalho começou em 2002. A idéia de que muitas crianças pouco sabiam de suas histórias incomodava bastante. É fundamental conhecer sua trajetória para conseguir fazer escolhas mais conscientes em sua vida futura.

Em quantos abrigos o Instituto atua?

Claudia Vidigal –
Hoje, o instituto tem aproximadamente 30 abrigos como parceiros em seus diversos programas.

O Instituto Fazendo História atua por meio de cinco programas. Quais são esses programas e qual o foco de atuação deles?

Claudia Vidigal –
O nossos programas são:

Perspectivas – formação de gestores e educadores de abrigos
Com Tato – atendimento psicoterápico voluntário
Ato Vivo – Teatro e psicodrama para adolescentes
Palavra de Bebê – atendimento especializado para bebês
Fazendo Minha História – registro de histórias de vida

Como é o dia-a-dia nesses abrigos? Qual a rotina dos colaboradores voluntários?

Claudia Vidigal –
O programa Fazendo Minha História e o programa Com Tato são os dois que têm o voluntariado como parceiro.

No Com Tato, psicólogos voluntários atendem duas crianças em seus consultórios particulares.

No programa Fazendo Minha História, os voluntários não precisam ter uma formação específica. O importante é ter aproximadamente 3 horas por semana disponíveis para realizar o trabalho de registro da história de vida de uma criança específica. Os encontros entre colaboradores e crianças são nos abrigos, têm uma hora de duração e devem acontecer durante um ano. Neste período, o colaborador voluntário irá contar histórias a partir da biblioteca que o programa implementa em cada abrigo; escutar histórias que a criança quer contar e registrar no álbum “fazendo minha história” o momento presente da vida da criança, bem como sua história e planos futuros.

Que tipo de treinamento os voluntários do Instituto recebem?

Claudia Vidigal –
Os voluntários do programa fazendo minha história têm dois encontros de 3 horas cada um para se prepararem para o trabalho. O primeiro encontro é mais teórico, e abrange o conceito de abrigo, de trabalho voluntário e a importância do trabalho com histórias de vida. O segundo é mais metodológico, onde o voluntário irá aprender a trabalhar com os livros e o registro da história em si.

Há ainda 4 encontros anuais de capacitação com temas diversos e acompanhamento mensal do trabalho através de encontros de supervisão com a equipe técnica do projeto.

Como os interessados podem auxiliar no projeto?

Claudia Vidigal –
O primeiro passo é fazer a inscrição no site para o trabalho voluntário. A partir daí, iniciamos o treinamento e o trabalho.

Quem são os parceiros do Instituto?

Claudia Vidigal –
Ministério da Cultura, Secretaria Especial de Direitos Humanos, FUMCAD, Marítima, Socicam, BlueMedia, Instituto Pró-bono, Banco Paulista e outros. Além disso, todos os abrigos parceiros, é claro.

Uma iniciativa interessante é o “Guia de ação para abrigos e colaboradores”. Qual o objetivo do guia e para quem ele foi feito?

Claudia Vidigal -
O objetivo do Guia é a disseminar a proposta e os nossos ideais para abrigos que ainda não são parceiros, e, também, funcionar como instrumento de formação para os voluntários.

Hoje o Instituto atua em algumas cidades do estado de São Paulo, incluindo a capital. Como você projeta o futuro da instituição? Existe alguma meta ou objetivo traçado pelo Fazendo História?

Claudia Vidigal -
Sim. Estamos buscando estender o trabalho para o Rio de Janeiro e outros estados.

O que você diria àquelas pessoas que querem ajudar, mas não sabem como dar os primeiros passos?

Claudia Vidigal –
Eu diria para elas buscarem parceiros que já estão trabalhando no terceiro setor. Existem muitos projetos interessantes sendo desenvolvidos que precisam de apoio para ampliar seus resultados.

Os livros são os grandes aliados do Instituto na busca de uma sociedade menos desigual. Qual é, na sua opinião, a importância da literatura para a redução das desigualdades sociais?

Claudia Vidigal -
Gigante. “Um país se faz com homens e livros”, diria Monteiro Lobato. E também penso assim. Trazer uma diversidade de personagens, emoções e histórias é ampliar o repertório de possibilidades do ser humano e a literatura é uma ferramenta fundamental neste processo.

O que é “fazer história”, para você?

Claudia Vidigal -
“Fazer história” é sair do lugar de simples vítimas da violência e do abandono para se tornar autor da sua própria história. É adquirir autonomia para fazer as escolhas pessoais com cada vez mais consciência. É isso que o Instituto Fazendo História procura oferecer às crianças atendidas, a possibilidade de escrever seu próprio futuro.

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