Paulo Freire

24/09/2010 20:59
Arquivo não editável
Autor: Grécia
Página relacionada a: Categoria - Pesquisa

Quem foi Paulo Freire?


educador reconhecido internacionalmente pelo método de alfabetização

Biografia

Paulo Régis Neves Freire, educador pernambucano, nasceu em 19/9/1921 na cidade do Recife, numa família de classe média. Foi alfabetizado pela mãe, que o ensina a escrever com pequenos galhos de árvore no quintal da casa da família. Com 10 anos de idade, a família mudou para a cidade de Jaboatão.
Com o agravamento da crise econômica mundial iniciada em 1929 e a morte de seu pai, quando tinha 13 anos, Freire passou a enfrentar dificuldades econômicas. Na adolescência começou a desenvolver um grande interesse pela língua portuguesa. Começou a dar aulas aos 21 anos. Nunca mais parou. Com 22 anos de idade, Paulo Freire começa a estudar Direito na Faculdade de Direito do Recife, mas não seguiu carreira, encaminhando a vida profissional para o magistério.
No ano de 1947 foi contratado para dirigir o departamento de educação e cultura do Sesi, onde entra em contato com a alfabetização de adultos. Em 1958 participa de um congresso educacional na cidade do Rio de Janeiro. Neste congresso, apresenta um trabalho importante sobre educação e princípios de alfabetização. De acordo com suas idéias, a alfabetização de adultos deve estar diretamente relacionada ao cotidiano do trabalhador. Desta forma, o adulto deve conhecer sua realidade para poder inserir-se de forma crítica e atuante na vida social e política.
No começo de 1964, foi convidado pelo presidente João Goulart para coordenar o Programa Nacional de Alfabetização. Logo após o golpe militar, durante os anos de chumbo da ditadura, teve de ficar 15 anos fora do país. Seu crime: alfabetizar! para a conscientização e participação política na sociedade. Viveu no exílio no Chile e na Suíça, onde continuou produzindo conhecimento na área de educação. Quando retornou ao Brasil no ano de 1979, após a Lei da Anistia, sua obra já era conhecida em muitos países.
Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e, entre 1989 e 1991, foi secretário municipal de Educação de São Paulo. Depois deste importante cargo, onde realizou um belo trabalho, começou a assessorar projetos culturais na América Latina e África. Foi nomeado doutor honoris causa de 28 universidades em vários países e teve obras traduzidas em mais de 20 idiomas. Morreu na cidade de São Paulo em 2/5/1997, de enfarte.

O mentor da educação para a consciência

O mais célebre educador brasileiro, autor da pedagogia do oprimido, defendia como objetivo da escola ensinar o aluno a “ler o mundo” para poder transformá-lo.
Paulo Freire foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais. Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação, ele propunha para despertar a consciência dos oprimidos “Sua tônica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade”, escreveu o educador. O principal livro de Freire se intitula justamente Pedagogia do Oprimido e os conceitos nele contidos baseiam boa parte do conjunto de sua obra.

Aprendizado conjunto

Freire criticava a idéia de que ensinar é transmitir saber por que para ele a missão do professor era possibilitar a criação ou a produção de conhecimentos. Mas ele não comungava da concepção de que o aluno precisa apenas de que lhe sejam facilitadas as condições para o auto-aprendizado. Previa para o professor um papel diretivo e informativo – portanto, ele não pode renunciar a exercer autoridade. Segundo o pensador pernambucano, o profissional de educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, mas não como verdade absoluta. Ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. “Os homens se educam entre si mediados pelo mundo”, escreveu. Isso implica um princípio fundamental para Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura que não é melhor nem pior do que a do professor. Em sala de aula, os dois lados aprenderão juntos, um com o outro – e para isso é necessário que as relações sejam afetivas e democráticas, garantindo a todos a possibilidade de se expressar. “Uma das grandes inovações da pedagogia freireana é considerar que o sujeito da criação cultural não é individual, mas coletivo”, diz José Eustáquio Romão, diretor do Instituto Paulo Freire, em São Paulo.

Três etapas rumo à conscientização

Embora o trabalho de alfabetização de adultos desenvolvido por Paulo Freire tenha passado para a história como um “método”, a palavra não é a mais adequada para definir o trabalho do educador, cuja obra se caracteriza mais por uma reflexão sobre o significado da educação, a idéia de que tudo está em permanente transformação e interação. Esse ponto de vista implica a concepção do ser humano como “histórico e inacabado” e conseqüentemente sempre pronto a aprender. No caso particular dos professores, isso se reflete na necessidade de formação rigorosa e permanente. Freire dizia, numa frase famosa, que “o mundo não é, o mundo está sendo”.
Distinguem-se na teoria do educador pernambucano três momentos claros de aprendizagem.
• O primeiro é aquele em que o educador se inteira daquilo que o aluno conhece, não apenas para poder avançar no ensino de conteúdos mas principalmente para trazer a cultura do educando para dentro da sala de aula.
• O segundo momento é o de exploração das questões relativas aos temas em discussão – o que permite que o aluno construa o caminho do senso comum para uma visão crítica da realidade.
• Finalmente, volta-se do abstrato para o concreto, na chamada etapa de problematização: o conteúdo em questão apresenta-se “dissecado”, o que deve sugerir ações para superar impasses. Para Paulo Freire, esse procedimento serve ao objetivo final do ensino, que é a conscientização do aluno.

A literatura dele trata justamente do humanismo, da esperança, de resgatar a ontológica condição humana. Nós sabemos que sabemos. Passarinhos, cachorros, leões, eles sabem – caçam, se defendem -, mas não têm consciência disso.
A obra de Freire tem por base a pedagogia crítico-educativa, primou por considerar as experiências que cada educando já traz de seu ambiente extra-escola, utilizando-as para estimular uma nova práxis educacional. Uma educação sem arestas, que desconsidera as diferenças entre os sujeitos, as desigualdades sociais, as características próprias de cada indivíduo, enfim, afirma supostamente iguais os diferentes. “Uma das grandes inovações da pedagogia freireana é considerar que o sujeito da criação cultural não é individual, mas coletivo”, diz José Eustáquio Romão, diretor do Instituto Paulo Freire, em São Paulo.

Obras do educador Paulo Freire

• A propósito de uma administração. Recife: Imprensa Universitária, 1961.
• Conscientização e alfabetização: uma nova visão do processo. Estudos Universitários – Revista de Cultura da Universidade do Recife. Número 4, 1963: 5-22.
• Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1967.
• Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1970.
• Educação e mudança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1979.
• A importância do ato de ler em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez Editora, 1982.
• A educação na cidade. São Paulo: Cortez Editora, 1991.
• Pedagogia da esperança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1992.
• Política e educação. São Paulo: Cortez Editora, 1993.
• Cartas a Cristina. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1974.
• À sombra desta mangueira. São Paulo: Editora Olho d’Água, 1995.
• Pedagogia da autonomia. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1997.
• Mudar é difícil, mas é possível (Palestra proferida no SESI de Pernambuco). Recife: CNI/SESI, 1997-b.
• Pedagogia da indignação. São Paulo: UNESP, 2000.
• Educação e atualidade brasileira. São Paulo: Cortez Editora, 2001.

Você identifica as idéias do Paulo Freire nas instituições onde desenvolvem ações voluntarias?

Sim, pois para trabalharmos na instituição como voluntários é preciso desarmar o coração para deixar falar a voz da emoção, a voz da esperança e deixar a porta aberta. É preciso amar a vida, acreditar nas fantasias, na transformação, numa sociedade mais justa e igualitária. Do mesmo modo, é preciso ter dentro de si a esperança, a ousadia, a coragem de enfrentar as adversidades do dia a dia e as repentinas; é preciso, igualmente, acreditar na integridade, na beleza, e no poder de transformação dentro do ser humano, principalmente daqueles a quem a vida fecha as portas, dos “demitidos da vida”, dos “esfarrapados do mundo”.
Paulo achava que aprender é um trabalho coletivo. Foi assim que ele aprendeu e é assim que nós aprendemos. Todo aprendizado está no exercício intelectual de observar, intuir, verificar e apreender. Esse é o caminho do pensamento, o processo que cada um constrói. Segundo ele, faz parte do ato de educar e aprender. "Não existem ignorantes. Existem aqueles que não foram à escola, mas que têm um saber a partir de seu cotidiano.”

Como as ações se revelam na instituição?

Existem muitas crianças matriculadas nas escolas, mas não há a preocupação com a qualidade da educação. Hoje, o professor é treinado para dar aulas, palavra essa, “treinamento”, que passa uma noção de condicionamento. Hoje, ensinar a pensar está sendo feito mecanicamente, tecnicamente. Sabe quando uma criança quebra um brinquedo para saber como funciona? A escola de hoje destrói essa curiosidade. Sendo assim a criança tem de saber a razão de ser das coisas. A escola mata o que deveria estimular: não há educação sem curiosidade. Então atuando como voluntários, mediadores de leitura, estamos estimulando a imaginação o aprendizado das crianças e adolescentes através da literatura com a brincadeira, do projeto LITERATRUPE, contribuindo para um mundo melhor. Sabendo que: “Ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. “Os homens se educam entre si mediados pelo mundo”, como dizia Freire.

Fonte de pesquisa:
• Instituto Paulo Freire
• Revista Nova Escola – Editora abril
• Centro de Referência Paulo Freire (CRPF) localiza-se nas dependências do Instituto, se dedica a preservar e divulgar a memória e o legado de Paulo Freire, é um desdobramento da Biblioteca Paulo Freire. Possui caráter público e de livre acesso, onde é possível ter contato com textos, imagens, áudios e vídeos relacionados ao educador e também com alguns de seus objetos pessoais.
O Centro de Referência, fisicamente, está estruturado em dois acervos: Acervo Paulo Freire e Acervo Instituto Paulo Freire e, virtualmente, vem, aos poucos, buscando disponibilizar as mesmas informações para aumentar o acesso de pessoas interessadas na vida, obra e legado do educador.
Centro de Referência Paulo Freire
Rua Cerro Corá l 550 l 1º. Subsolo
CEP: 05061-100 l São Paulo l SP l Brasil
T: + 55 11 3021 5536
E-mail: crpf@paulofreire.org
Horário de funcionamento: segunda à sexta, das 9h às 18h (agendamento prévio).

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